Texto: Thiago Rodrigues/Pawe News | Fotos: Euzivaldo Queiroz/Pawe News |
PARINTINS – O Boi Caprichoso abriu, na noite deste domingo (28), a terceira e última noite de disputa do 59º Festival de Parintins com um espetáculo dedicado à exaltação da região Norte e dos povos que resistem em defesa da Amazônia. No terceiro ato do projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão”, o boi azul apresentou o tema “O Brinquedo da Resistência Canta: Norte Brasil – Chão de Bravos”, celebrando a floresta, os animais, os encantados e os defensores do território amazônico.
A apresentação retratou os diversos povos da região que, apesar das adversidades, construíram uma luta coletiva contra as tentativas de exclusão e invisibilização da Amazônia no restante do país. O espetáculo reforçou a identidade do Caprichoso como um brinquedo de resistência.
Destaques da apresentação
O bumbá iniciou o espetáculo das alturas com a entrada do Caprichoso ao lado do levantador de toadas Patrick Araújo, ao som da tradicional chamada que levou a nação azul e branca ao delírio.
Um dos momentos mais marcantes da noite foi a chegada da cunhã-poranga Marciele Albuquerque durante a Lenda Amazônica dos Macacos Comedores de Gente. O mito narra a saga do guerreiro Maricá em busca do conhecimento necessário para derrotar as gigantes feras.
A Figura Típica Regional homenageou as farinheiras da Amazônia, mulheres presentes em aldeias, quilombos e comunidades ribeirinhas responsáveis por preservar e transmitir os saberes ligados ao cultivo e ao preparo da mandioca. Uma das maiores alegorias da noite trouxe a porta-estandarte Marcela Marialva em destaque.
Outro momento de forte emoção foi a representação do Auto do Boi. O amo do boi, Caetano Medeiros, narrou a tradição em versos ao lado do filho, Theo Medeiros, simbolizando a transmissão da cultura entre gerações.
Essa foi a parte favorita da moradora de Parintins Jussara Vieira, que se emocionou com a apresentação.
“É muito bonito ver a tradição do boi-bumbá sendo repassada de pai para filho. Eu acompanho o Theo nas apresentações dos bois mirins e fiquei muito feliz”, declarou.
O encerramento ficou por conta do Ritual Indígena de Iniciação Xamânica do povo Xikrin-Mebêngôkre. Segundo a cosmovisão desse povo, o novo pajé precisa enfrentar diversas provas, entre elas uma aranha ancestral, para assumir o maracá. Também chamou a atenção a presença de uma onça robótica, que evoluiu so lado de Erick Beltrão e contagiou a galera azul.
A apoteose reuniu todos os itens oficiais em uma grande celebração, encerrando o projeto artístico “Caprichoso – Brinquedo que Canta Seu Chão”.








