Caprichoso apresenta projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão” para o Festival de Parintins 2026

Texto: Thiago Rodrigues/Pawe News | Fotos: Alexandre Vieira |

O Boi-Bumbá Caprichoso apresentou, nesta quinta-feira (24), o projeto artístico “Brinquedo que Canta Seu Chão”, tema que vai conduzir o espetáculo azul e branco no Festival de Parintins 2026. A proposta foi detalhada durante coletiva de imprensa no Curral Zeca Xibelão e aposta em uma narrativa de identidade, pertencimento, ancestralidade e exaltação da Amazônia.

O conceito foi apresentado pelo presidente do Conselho de Arte do Caprichoso, Ericky Nakanome, ao lado do presidente do boi, Rossy Amoedo, de conselheiros, representantes indígenas e integrantes da equipe responsável pela construção do espetáculo.

Segundo Ericky, o tema funciona como uma declaração de identidade do próprio Caprichoso. Mais do que falar sobre o povo, o boi se apresenta como uma entidade viva, formada por memória, afetos, tradições e pela relação profunda com o território amazônico.

“Brinquedo que Canta Seu Chão é um tema de autoafirmação. O Caprichoso é muito mais do que um objeto feito de pano, espuma e isopor. Ele se tornou um símbolo que reúne sentimentos, histórias, pertencimento e identidade”, afirmou.

O projeto artístico de 2026 será desenvolvido a partir de três eixos simbólicos — origem, vida e resistência — em uma jornada que parte de Parintins, atravessa a Amazônia e se amplia para o Norte do Brasil. Ao longo das três noites, o Caprichoso vai reunir referências à memória da cidade, às expressões da cultura popular, à força dos povos da floresta e à presença dos povos originários na construção da identidade amazônica.

Entre os destaques anunciados para o espetáculo estão a exaltação à cidade de Parintins e à trajetória do próprio boi, além de alegorias, lendas e rituais indígenas que devem atravessar a narrativa azul e branca na arena. A proposta inclui momentos inspirados em figuras e manifestações da cultura amazônica, como A Cobra Grande – Deusa da Encantaria, Curupira – Guardião da Vida, a alegoria Povo do Norte, a figura típica regional Farinheiras da Amazônia e o Auto do Boi Brasileiro.

A construção do espetáculo também terá participação de representantes indígenas convidados. Na coletiva, o Caprichoso apresentou nomes ligados aos povos Assurini e Xikrin, que integram o projeto deste ano.

Durante a coletiva, o presidente do Caprichoso, Rossy Amoedo, afirmou que o projeto de 2026 reúne a força artística da associação e o envolvimento de trabalhadores de diferentes áreas na construção do espetáculo.

“Por trás de cada apresentação existem centenas de trabalhadores dedicados. São serralheiros, escultores, pintores, costureiras, aderecistas, coreógrafos, músicos, compositores e tantos outros profissionais que vivem intensamente o sonho de construir três grandes noites de festival”, afirmou.

Rossy também demonstrou confiança no desempenho do Caprichoso na arena do Bumbódromo.

“Estamos preparados. Vamos estar no chão, no tablado, na rampa, nos guindastes e nas arquibancadas. Esse é o Caprichoso que vibra, que acredita e que vive intensamente esse momento. Estamos prontos para fazer um grande festival e lutar pelo título de 2026”, declarou.

O presidente da Maná Produções, André Guimarães, também participou da coletiva e destacou o crescimento do Festival de Parintins e a projeção da cultura amazônica dentro e fora do país. Segundo ele, o evento se consolidou entre os maiores do calendário cultural brasileiro e ganhou força a partir da profissionalização da gestão dos bois-bumbás e da capacidade de transformar tradição em espetáculo de alcance nacional.

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