Texto: Redação/Pawe News | Foto: Divulgação |
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou formalmente a abertura de um inquérito para investigar o deputado federal Adail Filho (MDB-AM). A decisão atende a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e apura a suposta prática de crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O caso está sob sigilo, mas trechos da decisão revelam um esquema complexo envolvendo empresas contratadas pela Prefeitura de Coari (AM) e o gabinete do parlamentar.
O Flagrante de R$ 1,2 Milhão
A investigação teve origem em uma operação da Polícia Federal no Aeroporto de Brasília, onde três homens — Cesar de Jesus Gloria Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho — foram detidos em flagrante transportando uma mala com aproximadamente R$ 1,2 milhão em espécie.
Após a quebra de sigilo dos dispositivos apreendidos com o trio, a PF identificou mensagens e registros financeiros que ligam as empresas geridas pelos detidos a transferências diretas para Adail Filho e seu pai, Manoel Adail Pinheiro (Republicanos), atual prefeito de Coari.
O “Caminho do Dinheiro”: Emendas e Contratos
A suspeita da PGR é que o montante seja fruto de propina oriunda de desvios de verbas públicas. O roteiro investigado aponta para:
- Envio de Recursos: Adail Filho destinou vultosas quantias em emendas parlamentares para Coari entre 2024 e 2025.
- Contratos Suspeitos: Empresas ligadas aos homens presos no aeroporto mantinham contratos ativos com a prefeitura comandada pelo pai do deputado.
- Retorno Financeiro: Parte desses valores retornaria ao parlamentar e ao seu grupo político de forma ilícita.
Foro Privilegiado e Decisão de Moraes
Inicialmente, o processo tramitava na 1ª Vara Criminal de Brasília. No entanto, diante dos indícios de que os crimes teriam relação direta com o exercício do mandato e o uso de emendas parlamentares, o caso foi remetido ao STF.
Ao acolher o pedido da PGR, o ministro Alexandre de Moraes unificou as investigações, mantendo sob a jurisdição da Suprema Corte tanto o deputado quanto os demais envolvidos sem foro privilegiado, visando evitar a fragmentação das provas. A Polícia Federal tem agora um prazo de 60 dias para concluir as diligências iniciais.
Histórico: O Poder do Clã Pinheiro em Coari
A investigação atual é mais um capítulo no conturbado histórico jurídico da família Pinheiro. O pai do deputado, Adail Pinheiro, é uma figura central na política amazonense, tendo sido condenado e preso anteriormente por crimes de exploração sexual de menores e corrupção. Adail Filho, por sua vez, já foi prefeito de Coari e também enfrentou afastamentos judiciais antes de conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados em 2022.
O Outro Lado: O que diz o acusado
Até o momento, a defesa do deputado Adail Filho tem mantido uma postura cautelosa. Em notas anteriores e manifestações preliminares, a assessoria do parlamentar informou que:
”O deputado reafirma sua total confiança na Justiça e esclarece que não possui qualquer envolvimento com os fatos ocorridos no aeroporto de Brasília. Adail Filho está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e acredita que o inquérito comprovará a licitude de suas ações e a transparência no manejo de suas emendas parlamentares.”
A prefeitura de Coari também nega irregularidades nos contratos citados, afirmando que todos os processos licitatórios seguiram os ritos legais.