Conheça os enredos das escolas do Grupo Especial do Rio em 2026

Texto: Gilberto Costa/Agência Brasil |

Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil |

Oito dos 12 enredos das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro em 2026 serão biográficos e contarão a história de personalidades de diversas expressões artísticas e da política, exaltando o papel dessas figuras públicas na criação de novos padrões estéticos, na reverência à cultura negra e na denúncia a preconceitos.

Na passarela dos homenageados, estarão o compositor e pintor Heitor dos Prazeres (Vila Isabel), o cantor Ney Matogrosso (Imperatriz Leopoldinense), a cantora e compositora Rita Lee (Mocidade Independente de Padre Miguel), a escritora Carolina Maria de Jesus (Unidos da Tijuca), e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (Acadêmicos de Niterói).

São Paulo - Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasil, é considerada uma das mais importantes escritoras do país. A autora viveu boa parte de sua vida na favela do Canindé, na Zona Norte de São Paulo. Foto: CCSP
Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras escritoras negras do Brasi Foto: CCSP

A carnavalesca Rosa Magalhães (Acadêmicos do Salgueiro) e o mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto, o Mestre Ciça (Acadêmicos do Viradouro), estão entre os ilustres do mundo do samba que serão temas de enredos, que também exaltarão a cultura negra contando a história do curandeiro amapaense Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca (Estação Primeira de Mangueira), e do líder religioso Custódio Joaquim de Almeida, o Príncipe Custódio do Bará (Portela).

O panteão das figuras negras reforça o conjunto de desfiles que resgatam a história e a cultura de origem africana, como propõe o enredo Lonã Ifá Lukumi (Paraíso do Tuiuti), sobre a religião afro-cubana Santeria; e o enredo Bembé do Mercado (Beija-Flor de Nilópolis), a respeito de manifestação religiosa no Recôncavo Baiano.

Outra escola da Baixada Fluminense, a Grande Rio, presta homenagens ao movimento musical de contracultura Manguebeat, surgido na década de 1990 em Recife (PE).

Conheça os enredos das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro

1º dia – domingo (15/2)

  • Acadêmicos de Niterói – Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil;
  • Imperatriz Leopoldinense – Camaleônico;
  • Portela – O Mistério do Príncipe do Bará;
  • Estação Primeira de Mangueira – Mestre Sacacá do Encanto Tucuju – o Guardião da Amazônia Negra

2º dia – segunda-feira (16/2)

  • Mocidade Independente de Padre Miguel – Rita Lee, a Padroeira da Liberdade;
  • Beija‑Flor de Nilópolis – Bembé do Mercado;
  • Acadêmicos do Viradouro – Pra Cima, Ciça;
  • Unidos da Tijuca – Carolina Maria de Jesus.

3º dia – terça-feira (17/2)

  • Paraíso do Tuiuti  – Lonã Ifá Lukumi;
  • Unidos de Vila Isabel – Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África;
  • Acadêmicos do Grande Rio – A Nação do Mangue;
  • Acadêmicos do Salgueiro – A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau.

Memória e pedagogia

Para o sociólogo Rodrigo Reduzino, “essa expertise de refletir sobre a realidade e trazer o que a oficialidade não fala foi o que originou as escolas de samba, com enunciado político, desde 1928”, diz se referindo ao ano da criação da primeira escola de samba, a Deixa Falar, no bairro do Estácio (zona norte do Rio).

Ao laurear figuras com trajetórias disruptivas, resgatar pessoas ignoradas e recontar acontecimentos esquecidos, os enredos das escolas de samba cumprem funções pedagógicas e memorias como prescritas nos versos do samba História para ninar gente grande, do desfile campeão da Mangueira em 2019: “Brasil, meu nego / deixa eu te contar / a história que a história não conta / o avesso do mesmo lugar / na luta é que a gente se encontra”.

Rio de Janeiro (RJ), 05/03/2025 – Acadêmicos do Grande Rio desfila no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Acadêmicos do Grande Rio desfila em 2025, no terceiro dia de carnaval do grupo Especial na Marquês de Sapucaí, na região central do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Reduzino escreve neste momento tese de doutorado sobre “os enredos da liberdade”, pesquisa que deu origem à série homônima na plataforma Globoplay. Segundo ele, ainda na década de 1930, cerca de 45 anos após a Abolição da Escravatura (1888), as escolas de samba já tratavam de questões raciais em seus enredos.

A historiadora Nathalia Sarro, diretora do departamento cultural da de Vila Isabel, defende que “os enredos das escolas de samba educam, geram identidades e mobilizam sentimentos”.

“A principal função do enredo é emocionar. E o que emociona, o que toca a gente, transforma”, acrescenta.

Os dois especialistas participaram da mesa de encerramento do 1º Simpósio Temático “MIS Chama Para Sambar”, promovido em dezembro (9 a 11) pelo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro.

Uma prévia do que serão os desfiles poderá ser assistida gratuitamente nos ensaios técnicos das escolas de samba, que acontecerão no final de janeiro e começo de fevereiro do próximo ano.

Veja abaixo a programação dos ensaios técnicos

Dia 30/1, a partir das 21h

  • Acadêmicos de Niterói
  • Mocidade Independente de Padre Miguel
  • Estação Primeira de Mangueira
  • Unidos da Tijuca

Dia 31/1, a partir das 20h

  • Unidos de Vila Isabel
  • Acadêmicos do Salgueiro
  • Paraíso do Tuiuti
  • Portela

Dia 1/2, a partir das 19h

  • Acadêmicos Viradouro
  • Imperatriz Leopoldinense
  • Acadêmicos do Grande Rio
  • Beija-Flor de Nilópolis

Dia 6/2, a partir das 21h

  • Acadêmicos de Niterói
  • Mocidade Independente de Padre Miguel
  • Estação Primeira de Mangueira
  • Unidos da Tijuca

Dia 7/2, a partir das 18h

  • Unidos de Vila Isabel
  • Acadêmicos do Salgueiro
  • Paraíso do Tuiuti
  • Portela

Domingo (8/2), a partir das 19h

  • Acadêmicos Viradouro
  • Imperatriz Leopoldinense
  • Acadêmicos do Grande Rio
  • Beija-Flor de Nilópolis

Como ocorreu pela primeira vez em 2025, os desfiles das escolas de samba do chamado “Grupo Especial’ ocorrerão durante três dias: de domingo (15) a terça-feira (17).

Até 1983, as apresentações em avenidas do centro da cidade ocorriam em um dia. De 1984 à 2024, já no Sambódromo, os desfiles passaram a ser divididos emr dois dias, em geral, aos domingos e às segundas-feiras.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esportes

Artigos

Picture of Jerfferson Coronel

Jerfferson Coronel

Uns Dos Maiores Jornalista da Nossa região norte.

Cidades

Brasil